Cultura de Daphnias, Moinas e outros Cladoceros

 
 

 As dáfnias são um dos mais tradicionais alimentos vivos utilizados em aquariofilia. O seu pequeno tamanho é particularmente adaptado às diminutas bocas da maioria dos peixes de aquário de dimensões tratáveis, e os seus hábitos filtradores permitem-nos utilizá-las como veículo para o fornecimento de vitaminas ou aditivos alimentares aos nossos peixes. E com uma vantagem que sempre estão disponíveis em vários tamanhos, tendo em vista a rápida reprodução delas.

Nutritivamente falando, as dáfnias e moinas são muito similares as artêmias como alimento, mas quando consideramos a apetência dos peixes para a sua ingestão, o caso muda de figura. Provavelmente devido ao seu exoesqueleto, os peixes lhes dão grande atenção, mas ao capturá-las acabam cuspindo, o que acaba por não ser especialmente problemático. As dáfnias mudam de "casca" continuamente e logo após esta operação são macias e bastante mais atraentes para os peixes. Esta casca é, aliás, um dos valores escondidos das dáfnias, pois funciona como fibra e é útil para "limpar" o sistema digestivo dos peixes. As que não são consumidas sobrevivem alegremente no aquário, onde vão se alimentando de bactérias, leveduras, matéria orgânica em suspensão, etc., e dessa forma contribuindo para o asseio dos aquários.

Vão-se também reproduzindo, sendo os recém-nascidos uma boa comida para alevinos
eventualmente presentes no aquário.

No caso das moinas a aceitabilidade é maior ainda.

Ambas precisam de adaptação entre a água do envio e a da nova cultura - ver outro artigo - "COMO SOLTAR SEU PEIXE OU CULTURAS VIVAS ENVIADAS EM ÁGUA " - e aconselho para evitar a introdução de predadores que se use a nova água, sempre depois de ferver, e se possível usar redes de malha com 180 fios para coar a água verde servida como alimento a elas, para reter possíveis predadores.

 

Podem ser criadas em qualquer recipiente, sendo que os melhores são os que tem menor profundidade e mais superfície de espelho d’água, e preferencialmente que fiquem em ambientes ao sol direto.

A alimentação pode ser por meio de água verde (formada por algas unicelulares), ou por fermento de pão (leveduras), ou spirulina em pó, chlorella. Também pode ser usado como substrato solto na água um pouco de feno ou capim seco, ou também esterco animal curtido e seco. Podem ser alimentadas também com outros microplancton (paramécios, rotíferos, etc).

Um bom processo para se conseguir essa água verde, é manter alguns kinguios, ou carpas, em outro local, também ao sol e a água verde que se forma normalmente devido a alta adubação proporcionada por eles, é servida diariamente as dáfnias e moinas. Procurar manter sempre a água meio turva, ou seja sempre com alimento em suspensão, mas não exageradamente. Uma outra boa dica, e manter junto aos peixes maiores (kinguios ou carpas) alguns guppies (lebistes) com a finalidade de que por serem de menor tamanho, enxerguem e predem os usuais predadores, existentes nessa água verde (principalmente no caso das moinas, onde os ciclops, se entrarem acabam dominando a cultura).  

Pode-se colocar também esterco em mínimas quantidades na água, para
favorecer o aparecimento e crescimento de algas (particularmente eu não
gosto deste método porque junto vem ovos de possíveis predadores). É dispensável a aeração, mas a temperatura ideal de criação fica entre 27 a
32 °C, embora aceitem e resistam a temperaturas bem inferiores. E um dos segredos para evitar perdas é não deixar que a população aumente exageradamente, e para isso coletar sempre. São ricas fontes de iodo e fósforo, e medem de 2 a 4 milímetros quando adultas, (moinas 1 mm) e se estiverem com a cor vermelha também estão ricas em vitamina A. São ovíparas, e respiram por intermédio de brânquias.
Podem ser "vitaminadas" artificialmente (bioencapsulação), colocando-as em água contendo algumas gotas de complexos vitamínicos, um pouco antes de serem servidas aos peixes (por 20 minutos).

É um dos alimentos vivos mais fáceis de se cultivar. É sempre recomendável cobrir as culturas com tela de malha bem fina para evitar postura de mosquitos (DENGUE por ex.) que inclusive atacam suas formas mais jovens, e também para evitar contaminação por outros organismos do plâncton, especialmente para as moinas que são muito susceptíveis a competição ou mesmo predação delas por outras espécies.

Conselho: a quem tiver varias espécies de culturas em criação, procurar adequar o manejo, e separar bem os utensílios de cada uma, pois às vezes uma variedade pode ser predadora da outra... Sugerimos marcar peneiras, redinhas, colheres, com etiquetas coloridas deixando uma cor a cada espécie, para evitar o uso trocado.

Desejamos que tenha muito sucesso nas culturas, e caso descubra um processo diferente nos informe ... Sucesso!

 

Informações mais recentes: Testamos tanto em ambientes ao sol, como ambientes fechados (mas sob iluminação) a alimentação com associação de fermento de padaria + sangue em doses bem ínfimas e a cada 3 dias...e a cada 10 a 12 dias, coletar algumas moinas para ressemear nova cultura e usar a antiga para alimentar os peixes, ou coar e guardar congelada para alimentação em dias futuros... com esse procedimento evita-se o aumento exagerado de predadores da cultura.

Observação: As ilustrações presentes neste material são de animais nativos da piscicultura localizada em Marília/SP, coletados e fotografados. A denominação pode não estar correta, e agradeceríamos se alguém, conhecedor do assunto, pudesse confirmar ou corrigir, e quem sabe determinar as espécies em questão.

Escrito por Dr. Max Wagner 

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